CDL Manaus - 17-01-2017

Lojistas aguardam medidas do Governo Federal para tomadas de decisões



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As medidas tomadas pelo Governo Federal devem sinalizar o comércio a tomar novas decisões visando o crescimento do setor e a retomada dos empregos em Manaus, neste novo ano. A expectativa é do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas em Manaus (CDL Manaus), Ralph Assayag, que afirma que os lojistas têm acompanhado as decisões vindas de Brasília.

 

“O governo tem que se arrumar politicamente. Ainda não sabemos o que vai acontecer, mas vamos aguardar que medidas econômicas que estão sendo faladas, sejam cumpridas, para que o comércio local, assim como nas demais cidades do Brasil, volte a crescer e possamos ofertar empregos”, avaliou Assayag.

 

Para o economista e conselheiro consultivo do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM) José Laredo, o comércio, em Manaus, deve registrar em 2017, ainda, neste primeiro semestre do ano, uma melhora significativo. Isso porque, segundo ele, a expectativa é que a inflação se mantenha entre a meta de 4,5% a 6,5%. “Os economistas esperavam que a inflação chegasse em dezembro a 7,5%. Porém, no último dia 21, a previa da inflação de 2016 foi de 6,58%, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)”, afirmou.

 

De acordo com o economista, com a inflação tendendo a reduzir, o poder de compra dos consumidores acaba aumentando com o salário que eles dispõem. O resultado é a retomada das vendas no comércio.

 

Laredo ressaltou, também, sobre a queda de braços do Governo Federal em as empresas de cartão de crédito (ver boxe). “A intenção é que as operadoras de cartão de crédito reduzam os juros, pois o modo como aplicam os juros é um crime ao consumidor”, avaliou o economista, no final de dezembro de 2016.

 

Confiança

 

Apesar deste cenário, o mês de dezembro do ano passado, encerrou com o Índice de Confiança do Empresário do Comércio em alta de 24,1%, na comparação com dezembro de 2015, atingiu 99,1 pontos em uma escala de zero a 200. Apesar disso, o indicador manteve-se estável em relação a novembro de 2016. Os dados são Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

 

O crescimento na comparação com dezembro de 2015 foi influenciado, principalmente, pela avaliação mais positiva dos empresários do comércio em relação ao atual momento, que avançou 58,1%. Os empresários estão mais confiantes em relação à economia (153,8%), ao comércio (57,7%) e ao próprio negócio (28,7%).

 

Eles estão mais otimistas também em relação ao futuro (23,8%), com melhoras nas avaliações sobre a economia (42,8%), o comércio (21,2%) e ao próprio negócio (12,2%) nos próximos meses.

 

As intenções de investimentos também aumentaram (8,8%), já que eles esperam contratar mais funcionários (19,5%) e investir mais na empresa (7,2%). Apesar disso, houve uma queda de 1,5% na avaliação sobre se seus estoques estão adequados.

 

Avaliação nacional

 

Para economistas ouvidos pela Agência Brasil, as perspectivas para a economia em 2017 indicam leve melhora em relação a 2016, mas apontam para um caminho cheio de percalços rumo à retomada da produção e do consumo.

 

Segundo os especialistas, o quadro político também retarda a recuperação da economia. Para eles, o País precisa superar as pendências políticas antes de voltar a crescer, mas essa é apenas uma parte da solução.

 

Para a professora de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) Virene Matesco, o Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país) crescerá no máximo 0,5% em 2017. Ela diz que somente quando consumidores e empresários recuperarem a confiança, a economia começará a recuperar-se plenamente.

 

“A recuperação da economia em 2017 depende fundamentalmente de dois fatores: a superação da crise política e a aprovação de medidas que sinalizem algum compromisso do governo com as contas públicas. Somente aí, o país poderá começar a se reorganizar”, disse.

 

Segundo Virene, mesmo a aprovação da reforma da Previdência será apenas uma indicação para o mercado e os investidores. Isso porque tanto a revisão no regime de aposentadorias e pensões como a emenda constitucional que cria um teto para o gasto público tm impacto sobre as contas do governo apenas no médio e no longo prazo. “Como os déficits nas contas públicas continuarão persistindo, existe a possibilidade de o governo aumentar impostos para elevar a receita”.

 

O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, concorda com os reflexos da política sobre a economia. “Para mim, a crise atual é fundamentalmente política. Será que os investidores continuarão dispostos a pôr dinheiro no Brasil vendo o que está acontecendo aqui?”, pergunta.

 

Perfeito tem uma estimativa mais pessimista para o crescimento da economia no próximo ano: 0,2%. Segundo ele, o resultado poderia ser melhor se o governo ampliasse o déficit primário da União, estimado em R$ 139 bilhões para 2017, para estimular a economia. “Um aumento de gastos seria válido se fosse temporário e feito com transparência, mas não existe espaço político para isso, até por causa dos erros dos governos anteriores com esse tipo de medida”, explica.

 

O economista também atribui parte das dificuldades de recuperação da economia ao cenário internacional, principalmente, após a indicação do Federal Reserve (Banco Central norte-americano) de que poderá aumentar os juros da maior economia do planeta até três vezes em 2017 para conter os efeitos dos cortes de impostos e da expansão dos gastos públicos do futuro presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

 

BOXE: Novas regras no cartão de crédito pode diminuir a inadimplência

 

A limitação da permanência do cliente no rotativo do cartão de crédito por 30 dias deve reduzir a inadimplência do setor, informou a Associação Brasileira das Empresas de Cartões (Abecs). Em nota, a entidade informou que a medida permitirá ao consumidor controlar melhor o orçamento doméstico e a comprometer menor parte da renda mensal com parcelas.

 

A entidade informou, ainda, em dezembro, que segue discutindo com o Banco Central a possibilidade de redução - de 28 para 2 dias - do prazo para as empresas de cartão pagarem aos lojistas as compras com o cartão de crédito feitas por consumidores.

 

Pela medida anunciada dia 22 de dezembro, o contribuinte poderá ficar apenas 30 dias no rotativo do cartão de crédito. Após esse prazo, a linha deverá ser automaticamente substituída por opções mais baratas de financiamento, como o parcelamento da fatura, que cobra juros menores. Além disso, o cliente sempre terá a opção de quitar a fatura no dia seguinte, mesmo que tenha entrado no parcelamento.

 

A taxa de juros do rotativo do cartão de crédito chegou ao recorde de 482,1% ao ano, em novembro, segundo o Banco Central. A taxa subiu 6,3 pontos percentuais em relação a outubro e foi a maior da série histórica iniciada em março de 2011.

 

 

Agência CDL 

 

 










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